O que comprar na China: 15 lembranças que valem a pena
Turistas internacionais chegam à China com malas vazias e vão embora com elas cheias. O governo percebeu: em 2025, baixou o limite para restituição de impostos na saída de ¥500 para ¥200 e instalou balcões de “compre agora, receba a restituição agora” nas principais áreas comerciais. Os pedidos de restituição de viajantes internacionais saltaram 240% em Pequim no primeiro mês.
Mas o que realmente vale a pena comprar? Algumas lembranças chinesas viram objetos de estimação. Outras são bugigangas caras que ficam três anos numa gaveta e acabam num bazar beneficente. Esta lista separa a primeira categoria da segunda.
Para um guia mais aprofundado sobre onde comprar, como pechinchar e como funciona o sistema de restituição, veja nosso guia de compras na China. Este artigo foca no o quê.
1. Roupa sob medida em alfaiate ou mercado de tecidos
Os mercados de tecidos da China permitem tirar suas medidas, escolher o tecido e retirar as peças prontas em 48 a 72 horas. Um terno de lã sob medida que custa US$ 800 a 1.500 no Ocidente sai por ¥1.200 a 2.500 (aproximadamente R$ 840 a 1.750) no South Bund Fabric Market, em Xangai. Um qipao personalizado custa ¥300 a 800 (aproximadamente R$ 210 a 560). Duas provas incluídas.
Onde: South Bund Fabric Market (Xangai), Beijing Muxiyuan Fabric Market ou alfaiatarias menores perto do distrito de tecidos de qualquer cidade grande. Leia nosso guia Xangai além dos arranha-céus para saber mais sobre o South Bund.
Conferindo o preço: Um terno sob medida por ¥1.500 (aproximadamente R$ 1.050) é razoável. Um qipao por ¥400 (aproximadamente R$ 280) num mercado de tecidos é justo. Você paga mais por tecido italiano importado, menos por misturas de lã local.
Dica para a mala: Diga ao alfaiate que você vai embora em uma data específica. Ele entrega no prazo. O mercado de tecidos não opera no esquema “talvez semana que vem”. Eles vivem de prazos apertados de turista.
Evite: Alfaiates que prometem “entrega no mesmo dia” para peças complexas. Boa alfaiataria exige provas. Trabalho apressado gera resultado apressado.
2. Drones DJI a preço local
A DJI é uma empresa chinesa, e seus produtos custam de 20% a 40% menos na China do que nos EUA ou na Europa. Um DJI Mini 4 Pro que sai por US$ 759 nos EUA é vendido por cerca de ¥3.600 (aproximadamente R$ 2.520) na China. Modelos mais avançados, como o Mavic 3, têm diferenças ainda maiores.
Onde: Lojas oficiais da DJI em Pequim (Sanlitun), Xangai (Lujiazui) e Shenzhen (Nanshan). Também em grandes varejistas de eletrônicos, como a Suning. A loja de Shenzhen tem a maior variedade e unidades de demonstração de todos os modelos.
Ressalva: As garantias da DJI são restritas por região. Um drone comprado na China pode não ter cobertura da garantia DJI no seu país. Para a maioria dos viajantes, a economia no preço supera o risco da garantia. No caso de um Mavic 3, você economiza o suficiente para comprar um segundo drone.
3. Caixas surpresa e action figures da POP MART
A POP MART deixou de ser uma loja de brinquedos de Pequim para virar fenômeno global, e seus preços de varejo na China são cerca da metade do que os colecionadores pagam fora do país. Caixas surpresa que saem por US$ 15 a 25 no exterior custam ¥59 a 99 (aproximadamente R$ 41 a 69) na China. Figuras de edição limitada e colaborações com artistas como Kenny Wong e Pucky são lançadas primeiro na China.
Onde: Lojas POP MART em todos os grandes shoppings chineses. A loja principal na Nanjing Road, em Xangai, é a maior. Também há máquinas automáticas em estações de metrô e aeroportos.
Dica: Se você quer figuras específicas em vez de sorte aleatória, compre caixas abertas ou já confirmadas no Xianyu (闲鱼), o app de usados da China. Você paga um pouco mais por figura, mas leva exatamente o que quer.
4. Chá chinês que vale o preço
Lojas de chá para turista vendem chá medíocre em embalagens elaboradas por dez vezes o preço real. Passe direto. Compre num mercado de chá onde os locais compram, não numa “experiência de cerimônia do chá” atrelada a um passeio.
O que comprar:
- Chá verde Longjing (龙井, Poço do Dragão) de Hangzhou: ¥200 a 500 (aproximadamente R$ 140 a 350) por 250g de boa qualidade. A colheita da primavera (pré-Qingming) é a melhor e a mais cara.
- Chá fermentado Pu’er (普洱) de Yunnan: discos envelhecidos de fábricas confiáveis (Menghai, Xiaguan) começam em ¥100 a 300 (aproximadamente R$ 70 a 210) por um disco de 357g.
- Oolong Tieguanyin (铁观音) de Fujian: ¥100 a 300 (aproximadamente R$ 70 a 210) por 250g. Escolha a versão de torra leve se você prefere notas florais.
Onde: Maliandao Tea Market (Pequim), Tianshan Tea City (Xangai), Fangcun Tea Market (Guangzhou). Leia nosso guia da cultura do chá para saber mais.
O que evitar: Chá vendido em latas decorativas com frases em inglês. A embalagem custa mais do que o chá lá dentro. Qualquer coisa marcada como “grau presente”: é sobrepreço, não um selo de qualidade.
5. Seda direto de onde é feita
A China produz mais de 70% da seda do mundo. Um lenço de seda genuíno em Suzhou ou Hangzhou custa ¥80 a 200 (aproximadamente R$ 56 a 140). Uma capa de edredom de seda sai por ¥400 a 800 (aproximadamente R$ 280 a 560). Esses são preços de seda de amoreira de verdade, não de poliéster rotulado como “toque de seda”.
Onde: A loja do Suzhou Silk Museum (preços razoáveis, sem falsificações), o Hangzhou Silk Market (pechinche) ou diretamente nas fábricas de seda com showroom anexo.
Teste rápido de autenticidade: Puxe um fio e queime com um isqueiro. Seda de verdade cheira a cabelo queimado e deixa uma cinza que esfarela. O poliéster derrete e vira uma bolinha dura de plástico. A maioria dos vendedores de seda legítima deixa você testar.
6. Porcelana de Jingdezhen
Jingdezhen é a capital da porcelana da China há mil anos. Uma xícara de chá pintada à mão por um ceramista de ateliê custa ¥50 a 200 (aproximadamente R$ 35 a 140). Um jogo de chá completo com gaiwan e seis xícaras sai por ¥200 a 600 (aproximadamente R$ 140 a 420). São peças feitas à mão, únicas, não reproduções de fábrica.
Onde: A própria Jingdezhen, em especial o distrito criativo da Sculpture Porcelain Factory e a feira de fim de semana. Em outras cidades, procure lojas de utensílios de chá com a marca Jingdezhen.
Na mala: Embrulhe cada peça individualmente na roupa. Cerâmica sobrevive à bagagem despachada melhor do que você imagina. Leia nosso guia da porcelana de Jingdezhen para a viagem completa.
7. Itens de medicina tradicional chinesa (os úteis)
Deixe de lado as curas milagrosas duvidosas. Compre o que as casas chinesas de fato usam: Tiger Balm (¥10 a 20, aproximadamente R$ 7 a 14), spray Yunnan Baiyao para dor muscular (¥30 a 50, aproximadamente R$ 21 a 35), bálsamo essencial (风油精, fēng yóu jīng) para dor de cabeça e picada de inseto (¥5, aproximadamente R$ 3,50). Custam trocados e funcionam.
Onde: Qualquer farmácia. As redes Watson’s e Manning’s estão em toda parte e têm rótulos em inglês em alguns produtos.
8. Baijiu, se você fizer questão
O destilado chinês de sorgo não é para todo mundo. Tem gosto de fogo e arrependimento. Mas uma garrafa de Moutai (茅台), a marca mais famosa, é objeto de status na China e custa menos aqui do que em qualquer outro lugar. Uma garrafa padrão de Moutai Flying Fairy sai por ¥1.499 (aproximadamente R$ 1.050) nas lojas oficiais, quando você a encontra. Fora da China, a mesma garrafa custa de US$ 350 a 500.
Baijius de tiers mais baixos, como Wuliangye e Luzhou Laojiao, são mais baratos e, para muitos paladares, melhores. ¥200 a 400 (aproximadamente R$ 140 a 280) compram uma garrafa bem respeitável.
Dica de aeroporto: O baijiu é uma bebida de alto teor alcoólico. Só na bagagem despachada. A maioria das companhias limita o álcool a 1 a 5 litros dependendo do teor. Uma garrafa de 500ml a 53% passa. Seis garrafas, não.
9. Petiscos e molhos chineses
Lembranças comestíveis são a aposta mais segura porque você as usa ou as come. Não existe o problema do “isso vai ficar cinco anos numa prateleira”.
O que pegar: pimenta crocante Lao Gan Ma (¥10 a 15, aproximadamente R$ 7 a 10,50 o pote; disponível globalmente, mas as versões domésticas têm receitas ligeiramente diferentes), pimenta-de-sichuan (¥30 a 50, aproximadamente R$ 21 a 35 por 250g do huājiāo de Hanyuan, primeira linha), pasta fermentada de fava Pixian doubanjiang (¥15 a 25, aproximadamente R$ 10,50 a 17,50 o pacote; a base do mapo tofu e do porco duas vezes cozido) e balas de leite White Rabbit embrulhadas uma a uma (¥5 a 10, aproximadamente R$ 3,50 a 7 o pacote; nostalgia em papel de cera).
Onde: Supermercados. O Carrefour e redes locais como a Hema (盒马) têm tudo isso. Não precisa de lojas especializadas.
10. Leques tradicionais, recortes de papel e pequenos artesanatos
Leques dobráveis pintados à mão numa barraca de mercado custam ¥20 a 60 (aproximadamente R$ 14 a 42). Recortes de papel detalhados feitos por um artesão num mercado turístico saem por ¥30 a 100 (aproximadamente R$ 21 a 70). São o que mais chega perto de uma lembrança leve, fácil de empacotar e genuinamente cultural.
Onde comprar do jeito certo: Jinli Ancient Street (Chengdu), o Panjiayuan Antique Market nos fins de semana (Pequim), o Bairro Muçulmano (Xi’an). Pechinche. Um desconto de 30% sobre o primeiro preço pedido é o padrão. Leia nosso guia de Xi’an para quem vai pela primeira vez para saber mais sobre o Bairro Muçulmano.
O que não comprar
Eletrônicos cuja voltagem você não consegue confirmar. A maioria dos pequenos eletrônicos chineses funciona em 220V. Confira antes de comprar qualquer coisa com plugue.
Qualquer coisa descrita como “antiguidade” num mercado turístico. Antiguidades de verdade exigem uma licença de exportação do Departamento de Relíquias Culturais. Sem ela, a alfândega apreende o item e você nunca mais vê nem o objeto nem o seu dinheiro. Parta do princípio de que todos os vasos “da dinastia Ming” no Panjiayuan são reproduções. As boas ainda rendem peças decorativas bonitas e, a ¥100 a 300 (aproximadamente R$ 70 a 210), estão com preço de reprodução, como deveriam.
Chá a granel em sacos sem rótulo. Sem data de produção, sem origem, sem controle de qualidade.
Réplicas de artigos de luxo. A qualidade das bolsas e relógios de grife falsos varia muito. A alfândega do seu país pode confiscá-los. Economizar US$ 200 numa bolsa falsa vale uma conversa constrangedora na imigração? Provavelmente não.
A restituição de impostos: sim, você tem direito
Viajantes internacionais que estiveram na China por menos de 90 dias podem pedir uma restituição de impostos na saída de 9% a 11% em compras acima de ¥200 em lojas participantes. Procure as placas de “Tax Free”. Peça o recibo de restituição na hora da compra. Faça o processo no aeroporto antes do check-in.
Nem toda loja participa. Lojas de departamento e varejistas maiores quase sempre participam. Barracas de mercado e vendedores de rua quase nunca. Para o guia completo de como o sistema funciona, leia nosso guia de compras na China.
As melhores lembranças da China são as que você de fato usa: um qipao que você veste, um chá que você bebe, um drone que você pilota. As piores são as que você compra por obrigação. Se você não gosta de baijiu, não compre baijiu. Se você não bebe chá, não compre chá só porque está na China. O país faz coisas boas demais para encher uma mala de culpa.